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QUE
NOITES EU PASSO...
A.J.S.
Monteiro
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1-Que
noites eu passo, aqui no rochedo, A
borda do mar, Inquieto
e aflito, com susto e com medo, E
sempre a cuidar. 2-Si
chove, ligeiro as águas correndo A
choça umidecem; Viúvas,
Mombebas, na gruta gemendo Minh'alma
entristecem. 3-Si
o cume do pico a lua prateia Ao
seu clarear Meu
peito infeliz suspira e anseia, Começo
a chorar. 4-Passadas
venturas me vêm a lembrança Que
doce painel! Contemplo
depois da sorte a mudança, Para
tão cruel. 5-Sem
forças, em vão, deitado no leito Eu
quero dormir; Saudade,
que fere, que rala-me o peito Eu
entro a sentir. 6-Saudade
da terra, que longe deixei E
onde nasci; Saudade
do povo, da gente que amei, Mas
que já perdi! |
7-Saudade
da mata, do meu sabiá, Dos
plúmeos cantores; Dos
frutos tão belos, tão bons que ali há, Saudade
das flores. 8-Saudade
das ruas e rios e fontes, Que
há na cidade, Saudade
do prado, dos vales e montes, De
tudo saudade! 9-Que
noites eu passo aqui no rochedo À
borda do mar, Inquieto
e aflito, com susto e com medo E
sempre a cuidar! 10-Si
durmo, cansado de tanto lidar, De
tanto sofrer, Vampiros,
espectros, pairando no ar, Em
sonhos vou ver. 11-Ideais,
imagens, cruéis pensamentos Se
avivam então; Desperto...
meus males, martírios tormentos Mais
grave me são. 12-Tais
são minhas noites, que noites d'horror, Tal
é minha sorte; São
noites eternas de mágoa e de dor, São
noites de morte! |