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MARILIA DE DIRCEU
Ária X
Poesia
de Thomaz Antonio Gonzaga
Música: Marcos Portugal
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Vejo, Marilia, Que o nédio gado Anda disperso No monte e prado; Que assim sucede Ao desgraçado Que a perder chega O seu pastor. Mas inda sofro A viva dor. Também conheço Que os pegureiros, Que apascentavam Os meus cordeiros, Darão suspiros, E verdadeiros, Porque perderam Um pai no amor. Mas inda sofro A viva dor. Eu mais alcanço Que a minha herdade, Estando eu preso Sofrer não há de Nem a charrua, E nem a grade, Que a mão lhe falte Do lavrador. Mas inda sofro A viva dor. |
Mas quando sobe À minha idéia Que tu ficaste Lá nessa Aldeia, De mil cuidados E mágoa cheia, Das paixões minhas Não sou senhor. Eu já não sofro A viva dor. A quanto chega A pena forte! Pesa-me a vida, Desejo a morte, A Jove acuso Maldigo a sorte, Trato a Cupido Por um traidor. Eu já não sofro A viva dor. Mas este excesso Perdão merece, E dele Jove Se compadece. Que Jove, oh Bela, Mui bem conhece, Aonde chega Paixão de amor. Eu já não sofro A viva dor. |