MARILIA DE DIRCEU

 

MARILIA DE DIRCEU

Ária IX

Poesia de Thomaz Antonio Gonzaga

Música: Marcos Portugal

 

1. Alma digna de mil avós augustos!

Tu mentes, tu soluças

ao ver cair os justos;

Honras as santas leis da humanidade

E os teus exemplos deve

gravar com letras de ouro no seu Templo

A cândida Amizade.

 

2. Não é, não é de Heroi uma alma forte,

que vê com rosto enxuto

no seu igual a morte.

Não é também de Herói um peito duro,

que a sua rotina firma

em que lhe não resiste ao ferro, e fogo,

nem legião, nem muro.

 

3. Oh! quanto ousado Chefe me namora,

quando vê a cabeça

do bom Pompeu, e chora!

É grande para mim quem move os passos

e de Dario aos filhos,

que como escravos seus tratar pudera,

recebe nos seus braços.

 

4. Se alcança Enéas, capitão piedoso,

entre os Heróis do Mundo

um nome glorioso,

não é porque levanta uma cidade;

é sim, porque nos ombros

salvou do incêndio ao Pai, a quem destina

a mão de longa idade.

5. Ah! se ao meu contrario entre as chamas vira,

eu mesmo, sim, da morte

aos ombros o remira:

inda por ele muito mais obrara:

e se nada servisse,

fizera então, Amigo, o que fizeste;

gemera, e suspirara.

 

6. Oh! quanto são duráveis as cadeias

de uma amizade, quando

se dão iguais idéias!

Se apesar dos estorvos se sustinha

nossa união sincera,

foi por ser a minha alma igual à tua,

e a tua igual à minha.

 

7. Se o caro Amigo te merece tanto,

lá lhe fica a sua alma,

limpa-lhe o terno pranto.

De quem eu falo, és tu, Marilia bela,

ah! sim, honrado Amigo,

se enxugar não puderes aos seus olhos,

pranteia então com ela.