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MARILIA
DE DIRCEU
Ária
VI
Poesia
de Thomaz Antonio Gonzaga
Música: Marcos Portugal
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A estas horas eu procurava os meus Amores; tinham-me inveja os mais Pastores. A porta abria, Inda esfregando Os olhos belos, Sem flor, nem fita Nos seus cabelos. Ah! Que assim mesmo Sem compostura, É mais formosa Que a estrela d'alva, Que a fresca rosa. Mal eu a via, Um ar mais leve, (Que doce efeito!) Já respirava Meu terno peito. Do cerco apenas Soltava o gado, Eu lhe amimava Aquela ovelha Que mais amava. Dava-lhe sempre No rio, e fonte, No prado, e selva, Água mais clara, Mais branda relva. No colo a punha; Então brincando A mim a unia; Mil coisas ternas Aqui dizia. Marilia vendo, Que eu só com ela É que falava; Ria-se a furto, E disfarçava. Desta maneira Nos castos peitos, De dia em dia, A nossa chama Mais se acendia. |
No chão sentado, Eu lhe lavrava As finas rocas, Em que fiava! Da mesma sorte Que a sua amada, Que está no ninho Fronteiro canta O passarinho. Na quente sesta, Dela defronte Eu me entretinha Movendo o ferro Da sanfoninha. Ela por dar-me De ouvir o gosto, Mais se chegava; Então vaidoso Assim cantava: "Não há pastora, Que chegar possa À minha bela, Nem quem me iguale Também na estrela. Se amor concede Que eu me recline No branco peito, Eu não invejo De Jove o leito: Ornam seu peito As sãs virtudes, Que nos namoram; No seu semblante As graças moram." Assim vivia: Hoje em suspiros O canto mudo. Assim, Marilia, Se acaba tudo. |