MARILIA DE DIRCEU

 

 

MARILIA DE DIRCEU

Ária IV

Poesia de Thomaz Antonio Gonzaga

Música: Marcos Portugal

 

De que te queixas,

língua importuna?

De que a Fortuna

roubar-te queira

o que te deu?

Este foi sempre

O gênio seu.

 

Levou, Marília,

A ímpia sorte

Catões à morte;

Nem sepultura

Lhes concedeu.

Este foi sempre

o gênio seu.

 

A outros muitos

Que vís nasceram,

Nem mereceram,

A grandes tronos

A ímpia ergueu.

Este foi sempre

O gênio seu.

 

Espalha a Cega,

sobre os humanos,

Os bens e os danos;

E a quem se devam

Nunca escolheu.

Este foi sempre

O gênio seu.

 

A quanto é justo,

Jamais se dobra;

Nem igual obra

C'os mesmos deuses

Do claro céu.

Este foi sempre

O gênio seu.

 

Sobe ao céu Vênus

Num carro ufano;

e cai Vulcano

Da pura esfera

Em que nasceu.

Este foi sempre

O gênio seu.

 

Mas não me rouba

Bem que se mude,

Honra e virtude;

Que o mais é dela

Mas isto é meu.

Este foi sempre

O gênio seu.