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Os mares, minha bela, não
se movem;
O brando norte assopra, nem diviso
uma nuvem sequer na esfera toda;
O destro nauta aqui não é preciso;
Eu só conduzo a nau, eu só modero
do seu governo a roda.
Mas ah! que o sul carrega, o mar se empola,
Rasga-se a vela, o mastaréu se parte!
Qualquer varão prudente aqui já teme;
Não tenho a necessária força, e arte.
Corra o sábio piloto, corra e venha
reger o duro leme.
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Como sucede à nau no mar,
sucede
aos homens na ventura e na desgraça;
Basta ao feliz não ter total demência;
Mas quem de venturoso a triste passa,
Deve entregar o leme do discurso
nas mãos da sã prudência.
Todo o céu se cobriu, os raios chovem;
E esta alma, em tanta pena consternada,
nem sabe aonde possa achar conforto.
Ah! não, não tardes, vem, Marilia amada,
Toma o leme da nau, mareia o pano,
Vai-a salvar no porto.
Mas ouço já de Amor as sábias vozes,
Ele me diz que sofra, senão morro;
E perco então, se morro, uns doces laços.
Não quero já, Marília! mais socorro;
Oh! ditoso sofrer, que lucrar pode
a glória dos teus braços!
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